Escassez hídrica pode reduzir em 15,3% o rebanho bovino mineiro

Escassez hídrica pode reduzir em 15,3% o rebanho bovino mineiro

Escassez hídrica pode reduzir em 15,3% o rebanho bovino mineiro

 

A escassez hídrica, cada vez mais frequente em Minas Gerais, será um dos grandes desafios para a pecuária de corte nos próximos 10 anos, o que poderá provocar queda no volume do rebanho mineiro. Por outro lado, o uso de tecnologias de ponta tem contribuído para o aumento da produtividade do rebanho e para a melhoria da qualidade da carne. Em relação ao mercado, a tendência é de demanda crescente, principalmente no mercado externo, em função do crescimento da população mundial.

De acordo com dados do estudo “Projeções do Agronegócio Mineiro 2017 a 2027”, documento elaborado pela Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a expectativa é chegar a 2027 com uma produção de 575 mil cabeças, número 15,3% menor que o registrado em 2017, e o abate de 2,4 milhões de animais, o que representará uma queda de 17,3% na década.

Já as projeções referentes às exportações de carne bovina de Minas Gerais são positivas. Para os próximos dez anos, a tendência é sair das 117,4 mil toneladas exportadas em 2017 para 177,6 mil toneladas em 2027, o que representa uma taxa média de crescimento anual de 4,2% e variação de 51,3% na década.

Segundo o documento da Seapa, para os próximos 10 anos o principal entrave que poderá retardar o desenvolvimento mais robusto da bovinocultura de corte no Estado será a escassez hídrica, que nos últimos quatro anos afetou as regiões semiáridas. A seca tem provocando efeitos devastadores nos sistemas produtivos, como lavouras destruídas, pastagens degradadas, animais desnutridos, morte de bovinos, centenas de rios e córregos secos, elevando o desemprego e descapitalizando o pecuarista que, muitas vezes, não tem condições financeiras e estruturais para manter a atividade.

Mesmo que os efeitos da seca interfiram de forma negativa na pecuária de corte do Estado, inúmeros fatores contribuirão para que a atividade seja desenvolvida de forma sustentável e competitiva e a tecnologia terá um papel fundamental no setor. A tendência é de que os pecuaristas invistam cada vez no sistema de Integração Lavoura e Pecuária e na recuperação das pastagens degradadas.

O prognóstico mostra tendências favoráveis para os investimentos que promovam a produtividade, a incorporação de tecnologias e técnicas para que se intensifiquem cada vez mais os sistemas de produção, de forma que os mantenham economicamente viáveis, socialmente justos e ambientalmente corretos.

A pecuária também será favorecida por Minas Gerais ser um grande produtor de grãos e ter amplo número de plantas frigoríficas instaladas. Além disso, as associações de criadores instaladas no Estado, os eventos, feiras e leilões contribuem para a promoção e estimula os negócios.

Representação

De acordo com a Seapa, Minas Gerais é o sexto maior produtor de carne bovina do Brasil. Em 2016, a produção representou 8% das 7,4 milhões de toneladas de carcaças produzidas no País. O número de animais abatidos no Estado ficou da ordem de 2,6 milhões de cabeças para o mesmo período, sendo que 61,5% eram machos e 38,5% eram fêmeas. A região do Triângulo permanece na liderança no número de animais abatidos, tendo enviado para os frigoríficos, aproximadamente, 715,6 mil cabeças, seguida pela região do Jequitinhonha e Mucuri, com cerca de 264 mil cabeças.

O Estado se destaca por ter o segundo maior rebanho bovino (leite e corte), com cerca de 23,5 milhões de cabeças. Os animais se encontram distribuídos nos 853 municípios mineiros e em 360,5 mil estabelecimentos rurais.

Nos últimos dez anos, a região do Triângulo liderou o ranking das principais produtoras do Estado com o maior número de animais. Ao analisar os dados históricos e atuais dessa região, observa-se a tendência de que essa expressividade se mantenha ao longo dos próximos 10 anos, em virtude das condições favoráveis como a alta produção de grãos, tecnologias e técnicas de produção, que auxiliam para os avanços contínuos da pecuária de corte.

 

Fonte: <http://www.faemg.org.br/Noticia.aspxCode=15109&Portal=2&PortalNews=2&ParentCode=73&ParentPath=None&ContentVersion=R>